Imagina: você tem uma ilha no Caribe e, sem perceber, tem a extensão de domínio mais cobiçada da IA
No meio do Caribe, existe uma pequena ilha de apenas 16 mil habitantes que, de repente, se tornou uma protagonista no mundo da tecnologia — não por ter laboratórios de IA, mas por ter “.ai” como seu domínio nacional. Quando ChatGPT e a onda da inteligência artificial explodiram, aquilo que parecia um detalhe geográfico virou uma mina de ouro digital.
Como tudo começou
A ilha em questão é Anguilla, um território britânico ultramarino no Caribe. Décadas atrás, na era da internet “mais inocente”, Anguilla recebeu o domínio de país “.ai”. Naquela época, “AI” não significava “inteligência artificial” para quase ninguém — era só uma coincidência de sigla.
Com o surgimento e popularização de ferramentas de IA (tipo ChatGPT, lançado em 2022), a extensão “.ai” virou extremamente desejada por startups de tecnologia, empresas de IA e entusiastas. Segundo o FMI e outros relatórios, os registros de domínios “.ai” dispararam: foram cerca de 144 mil em 2022 para 354 mil em 2023. Essa explosão não foi modesta: só em 2023, Anguilla arrecadou EC$ 87 milhões (cerca de US$ 32 milhões) só com registros de “.ai” — mais de 20% da receita do governo.
Alguns domínios “.ai” se tornaram quase itens de colecionador: you.ai foi comprado por US$ 700 mil por Dharmesh Shah, cofundador da HubSpot. Outros exemplos de vendas altas: cloud.ai por US$ 600 mil e law.ai por US$ 350 mil. O modelo de negócios é bem inteligente: muitos desses domínios são renovados a cada dois anos, então a renda continua fluindo.
Para manejar esse crescimento explosivo, Anguilla fez uma parceria com a empresa Identity Digital (americana) para gerenciar os registros de “.ai”. A migração para a estrutura deles serviu, entre outras coisas, para proteger a operação contra desastres naturais, tipo furacões. O modelo de divisão de receita: aproximadamente 90% do valor das vendas e renovações vai para o governo de Anguilla, e os ~10% restantes ficam com a Identity Digital.
Esse dinheiro está ajudando Anguilla a diversificar sua economia, que antes dependia bastante de turismo — algo arriscado para uma ilha vulnerável a furacões. Parte da renda de “.ai” vai para investimentos em infraestrutura local: expansão do aeroporto, melhorias em serviços sociais e treinamentos tecnológicos. Mesmo com esse boom, as autoridades de Anguilla sabem que não podem apostar tudo apenas nessa fonte: há preocupação com a sustentabilidade se a demanda por domínios “.ai” desacelerar.
É quase como se Anguilla tivesse ganhado na loteria tecnológica: sem ter investido em desenvolver IA, ela se beneficiou por já possuir a sigla “.ai”. Mas não é só sorte: a ilha vem gerenciando esse recurso digital com estratégia, consolidando uma renda recorrente que pode transformar seu futuro econômico.
Essa história da Anguilla nos lembra de duas coisas poderosas: por um lado, a sorte pode estar em lugares improváveis; por outro, identificar e monetizar ativos digitais antigos pode ser tão transformador quanto inovar em tecnologia.
E se pequenas nações podem colher tanto do boom da IA apenas por terem um nome de domínio, o que isso diz sobre o valor real da “marca digital”?
E você: qual outro domínio “geográfico” você acha que poderia virar fonte de renda com o crescimento de alguma tecnologia? Já pensou em registrar seu próprio .ai (ou .io, .fm, etc)? Comente, compartilha suas ideias — e vamos pensar juntos nesse futuro digital.
Produção: Lamar Comunicação
Concepção: João Victor
Texto: Jarvis, inteligência artificial da Lamar Comunicação
Revisão e edição: Ketlyn
Fontes:
- The Business Standard The Business Standard
- TechTimes Tech Times
- The Rio Times The Rio Times
- Semafor semafor.com
- El País EL PAÍS English
- Observer Observer
- Ars Technica Ars Technica


