Durante anos, o nome de Travis Kalanick ficou associado a uma revolução no transporte.
A ideia por trás da Uber parecia simples: usar tecnologia para conectar pessoas que precisam de transporte com motoristas disponíveis. Mas, na prática, aquilo mudou completamente a lógica de mobilidade nas cidades.
Agora, anos depois de deixar o comando da empresa, Kalanick parece interessado em mexer com outra peça fundamental da vida urbana: a forma como moramos.
Sua nova aposta é a startup de apartamentos Sekra, um projeto que mistura tecnologia, bem-estar e comunidade para tentar reinventar o mercado de aluguel residencial. E, olhando mais de perto, a proposta lembra bastante a lógica que transformou o transporte urbano: pegar um setor tradicional e aplicar uma camada de tecnologia e experiência.
A pergunta que surge é inevitável: será que dá para “uberizar” também a moradia
A Sekra nasceu da parceria entre Travis Kalanick e o empresário Oliver Ripley, fundador da rede de hospitalidade Habitas.
A ideia central da empresa é criar uma nova geração de apartamentos para aluguel, com foco em três pilares: tecnologia, bem-estar e comunidade.
Na prática, isso significa que os edifícios são projetados para oferecer mais do que apenas moradia. Eles funcionariam quase como um híbrido entre condomínio, hotel e rede social.
Os apartamentos devem incluir tecnologias voltadas ao conforto e à saúde dos moradores — como iluminação circadiana para melhorar o ciclo do sono, isolamento acústico avançado e sistemas conectados a aplicativos que controlam iluminação, eletrodomésticos e serviços dentro do prédio.
Além disso, os projetos priorizam espaços coletivos e experiências compartilhadas entre moradores, como eventos, áreas de convivência e programação comunitária.
Segundo os idealizadores, a intenção é reconstruir algo que se perdeu nas grandes cidades: o senso de comunidade.
O projeto não surge do nada. Ele tenta responder a uma transformação clara na forma como as novas gerações encaram moradia.
Dados do mercado imobiliário indicam que uma parcela crescente de pessoas — especialmente abaixo dos 40 anos — prefere ou precisa viver de aluguel. Em alguns países, esse grupo já representa grande parte da população urbana.
Ao mesmo tempo, trabalho remoto, redes sociais e rotinas digitais criaram um paradoxo curioso: as pessoas estão mais conectadas online, mas muitas vezes mais isoladas no mundo físico.
A Sekra tenta transformar esse problema em oportunidade.
A proposta é que os edifícios não sejam apenas lugares para dormir, mas ambientes que incentivem convivência, atividades coletivas e redes de relacionamento entre moradores.
Em outras palavras, uma tentativa de transformar o prédio em uma espécie de comunidade planejada.
Não é difícil entender por que investidores estão olhando para esse mercado.
O setor de moradias voltadas ao bem-estar e à experiência residencial já movimenta bilhões de dólares e pode ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão até o final da década, segundo estimativas do setor imobiliário global.
Além disso, a urbanização crescente, o aumento do aluguel em grandes cidades e as mudanças no estilo de vida criam um cenário fértil para novos modelos de moradia.
Os primeiros projetos da Sekra devem surgir ainda em 2026, inicialmente em cidades costeiras dos Estados Unidos e depois em locais como Dubai e Riyadh.
Se a história de Travis Kalanick ensina alguma coisa, é que ele gosta de olhar para setores tradicionais e perguntar:
“E se a tecnologia mudasse isso completamente?”
Foi assim com o transporte.
Foi assim com as cozinhas virtuais da CloudKitchens, empresa que transforma imóveis em centros de restaurantes focados em delivery.
Agora, a aposta é na moradia.
A lógica parece familiar: pegar infraestrutura urbana tradicional e adicionar tecnologia, dados e experiência digital para criar um novo modelo de negócio.
Talvez a pergunta mais interessante não seja se a Sekra vai dar certo.
A pergunta mais interessante é outra.
Nos últimos anos, vimos transporte virar aplicativo, música virar streaming e até escritórios virarem coworking.
Se essa lógica continuar avançando, é possível que a moradia também passe por uma transformação parecida.
Mais flexível.
Mais conectada.
E cada vez mais parecida com um serviço.
Talvez, no futuro, escolher um lugar para morar seja menos sobre comprar um imóvel e mais sobre escolher uma experiência de vida.
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Produção: Lamar Comunicação
Concepção: João Victor
Texto: Jarvis, inteligência artificial da Lamar Comunicação
Revisão e edição: Ketlyn


