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julho 6, 2026 por Ketlyn Larissa

Os idosos estão mais conectados. E talvez isso diga mais sobre o mundo do que sobre eles.

Os idosos estão mais conectados. E talvez isso diga mais sobre o mundo do que sobre eles.
julho 6, 2026 por Ketlyn Larissa

A internet sempre carregou a fama de ser um território dos jovens. As primeiras redes sociais nasceram com adolescentes. As tendências digitais pareciam surgir dentro das escolas. Os memes eram criados por quem ainda nem tinha idade para votar. Mas um levantamento divulgado pelo IBGE mostra que essa lógica começou a mudar — e de forma bastante significativa.

Pela primeira vez, quase três em cada quatro brasileiros com 60 anos ou mais usam internet. Ao mesmo tempo, o acesso entre crianças de 6 a 9 anos apresentou queda. O dado parece contraditório à primeira vista. Afinal, enquanto imaginamos crianças cada vez mais conectadas e idosos afastados da tecnologia, a realidade está seguindo outro caminho.

E talvez a mudança mais importante não seja tecnológica. Seja social.

A internet deixou de ser um espaço dos jovens

Durante muito tempo, aprender a usar a internet era quase um ritual de passagem para as novas gerações. Hoje, a situação é diferente. A internet deixou de ser um ambiente exclusivo para entretenimento e passou a ser infraestrutura da vida cotidiana.

Marcar uma consulta médica. Solicitar benefícios. Conversar com filhos e netos que moram longe. Fazer uma transferência bancária. Pedir um carro por aplicativo. Renovar documentos. Resolver problemas sem enfrentar filas.

Cada vez mais, participar da sociedade exige algum nível de conexão digital.

Por isso, o crescimento da presença dos idosos na internet não representa apenas uma mudança de hábito. Representa uma necessidade.

Enquanto boa parte dos serviços migra para o ambiente digital, ficar desconectado significa, muitas vezes, perder autonomia.

A tecnologia deixou de ser opcional.

E por que as crianças aparecem menos conectadas?

O dado do IBGE também revela um movimento que chama atenção: houve redução no acesso entre crianças menores.

Isso não significa que elas abandonaram a tecnologia. Muito pelo contrário.

Nos últimos anos, famílias passaram a limitar o tempo de tela, adiar a entrega do primeiro celular e controlar mais o acesso às redes sociais. Escolas também intensificaram debates sobre concentração, aprendizagem e saúde mental, enquanto diferentes países começaram a discutir restrições ao uso de smartphones durante o período escolar.

Na prática, a infância passou a viver um movimento curioso: justamente quando a tecnologia está em todos os lugares, cresce a preocupação sobre quanto dela realmente faz sentido.

Enquanto isso, para muitos idosos, acontece o processo inverso. A internet deixa de ser excesso para se tornar necessidade.

Quem mais mudou não foi a tecnologia. Foi o comportamento.

Existe uma tendência comum de imaginar que inovação acontece apenas quando surge um novo aplicativo ou um dispositivo revolucionário.

Mas, muitas vezes, a maior transformação acontece quando pessoas mudam sua relação com aquilo que já existe.

Foi exatamente isso que aconteceu com a população mais velha.

A pandemia acelerou esse processo. Videochamadas substituíram encontros presenciais. Bancos digitais ganharam espaço. Compras online deixaram de ser exceção. Serviços públicos passaram a funcionar pela internet. Mesmo depois da normalização da rotina, muitos desses hábitos permaneceram.

Aprender a usar tecnologia deixou de ser curiosidade.

Virou independência.

Toda revolução tecnológica envelhece. O que permanece é a capacidade humana de aprender.

Essa talvez seja a principal mensagem escondida nos números do IBGE.

O desafio agora não é conectar. É incluir.

O aumento do acesso não significa que todos conseguem navegar pela internet com segurança.

Golpes digitais contra idosos continuam crescendo. Interfaces pouco acessíveis dificultam o uso de aplicativos. Letras pequenas, excesso de informações e jornadas complexas afastam justamente quem mais precisa desses serviços.

Conectar pessoas é apenas o primeiro passo.

Fazer com que elas consigam usar a tecnologia com autonomia talvez seja o desafio mais importante da próxima década.

Empresas, governos e criadores de conteúdo precisarão pensar menos em lançar novidades e mais em construir experiências que funcionem para públicos muito diferentes entre si.

Porque uma internet feita apenas para quem já domina a tecnologia deixa de cumprir seu principal papel: aproximar pessoas.

Um dado que muda a forma de enxergar o digital

Durante anos, a pergunta era quando os idosos entrariam de vez na internet.

Os números mostram que eles já entraram.

Agora, a pergunta mudou.

Estamos construindo uma internet pensada para todas as gerações ou apenas para quem aprende rápido?

Essa resposta vai definir não apenas o futuro da tecnologia, mas também quem consegue participar plenamente da vida digital.


Produção: Lamar Comunicação
Concepção: João Victor
Texto: Jarvis, inteligência artificial da Lamar Comunicação
Revisão e edição: Ketlyn

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