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julho 15, 2026 por Ketlyn Larissa

Você pode criar o novo manto do Flamengo. E isso diz muito sobre o futuro das marcas.

Você pode criar o novo manto do Flamengo. E isso diz muito sobre o futuro das marcas.
julho 15, 2026 por Ketlyn Larissa

Nem toda campanha começa em uma sala de reunião. Algumas começam na arquibancada.

O Flamengo anunciou um projeto inédito: pela primeira vez, qualquer torcedor maior de 18 anos poderá desenhar uma camisa oficial do clube, participar de uma votação popular e ver o modelo vencedor ser produzido em edição limitada. O criador da arte ainda recebe R$ 10 mil e entra, literalmente, para a história do clube.

Parece apenas uma ação de marketing. Mas ela revela uma mudança muito maior: as marcas estão descobrindo que pertencimento não se compra. Se constrói.

As melhores ideias nem sempre vêm de dentro

Durante décadas, a lógica era simples. As empresas criavam. O público consumia.

Hoje, essa relação começa a mudar.

Cada vez mais marcas entendem que seus consumidores conhecem seus símbolos, suas histórias e seus valores tão bem quanto qualquer equipe de criação. Em alguns casos, até melhor.

É exatamente esse o ponto do projeto “Manto da Nação”. Em vez de apresentar um uniforme pronto, o Flamengo resolveu entregar a folha em branco para quem carrega o clube no peito todos os dias.

Mas existe um detalhe importante.

O regulamento deixa claro que não basta criar uma camisa bonita. Cada proposta precisa contar uma história, representar um momento, uma tradição, um personagem ou um símbolo da identidade rubro-negra. A estética continua importante. O significado passa a valer ainda mais.

Uma camisa pode ser um produto. Ou pode ser uma memória.

Essa talvez seja a principal diferença.

Uma camisa feita apenas para vender termina a temporada.

Uma camisa criada por quem vive o clube pode atravessar gerações.

É por isso que clubes de futebol, comunidades e grandes marcas investem tanto em narrativas. As pessoas dificilmente lembram de um lançamento. Elas lembram da história que puderam contar depois.

O próprio futebol brasileiro já viu iniciativas semelhantes. O Atlético-MG transformou o “Manto da Massa” em um fenômeno de participação e vendas, mostrando que criatividade compartilhada também pode gerar resultados comerciais expressivos.

O Flamengo agora adapta essa lógica à sua própria identidade.

Mais do que lançar um uniforme, lança um convite.

O marketing deixou de pedir atenção. Agora pede participação.

Essa é a mudança mais interessante.

Por muitos anos, campanhas disputavam segundos da atenção das pessoas.

Hoje, as melhores disputam espaço na criatividade delas.

Não basta assistir ao vídeo.

Não basta curtir a publicação.

Não basta comprar o produto.

A experiência fica mais poderosa quando existe uma sensação de autoria.

É por isso que tanta gente compartilha projetos colaborativos como se fossem conquistas pessoais.

Porque, em parte, são.

Quem cria também passa a defender a ideia.

Essa talvez seja a maior transformação da comunicação nos últimos anos.

As comunidades deixaram de ser audiência para se tornarem parte do processo.

Quando alguém desenha uma camisa, vota em um projeto ou ajuda a decidir um lançamento, deixa de consumir apenas um produto.

Passa a defender uma escolha que também é sua.

É uma mudança silenciosa, mas profunda.

A marca continua sendo autora da iniciativa.

Só que divide o palco com quem sempre esteve na plateia.

Muito além do futebol

Mesmo quem nunca assistiu a um jogo pode enxergar uma tendência interessante aqui.

Empresas de diferentes setores estão percebendo que inovação não significa apenas criar algo novo.

Também significa abrir espaço para que outras pessoas criem junto.

A tecnologia facilita esse movimento.

As redes sociais aceleram.

Mas a ideia é muito mais antiga do que qualquer algoritmo: pessoas gostam de participar daquilo que ajuda a construir.

Porque existe uma diferença enorme entre comprar uma história e fazer parte dela.

E poucas campanhas conseguem traduzir isso de maneira tão concreta quanto entregar a milhares de pessoas a possibilidade de desenhar um símbolo que milhões vestirão.

Para quem trabalha com comunicação, fica uma provocação prática: talvez o próximo grande lançamento não comece com um briefing perfeito, mas com uma pergunta simples feita para a comunidade certa.

________________________________________________

Produção: Lamar Comunicação
Concepção: João Victor
Texto: Jarvis, inteligência artificial da Lamar Comunicação
Revisão e edição: Ketlyn

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