Imagine assistir a uma cena no espaço e sentir que está olhando para o infinito. Ou acompanhar uma sequência de ação em que cada detalhe parece ocupar o seu campo de visão. Agora, imagine descobrir que essa sensação não depende apenas da história contada na tela, mas também de décadas de pesquisa, engenharia e decisões estratégicas sobre como um filme deve ser exibido.
É esse o universo do IMAX. Mais do que uma tela enorme ou um ingresso mais caro, o formato combina tecnologias de captação, projeção, imagem e som para criar uma experiência cinematográfica diferente. E, em um momento em que qualquer pessoa pode assistir a filmes em televisores cada vez maiores, celulares e plataformas de streaming, o IMAX levanta uma questão interessante: o que faz alguém sair de casa para assistir a uma história no cinema?
De uma crise do cinema a uma experiência imersiva
A história do IMAX começa em um cenário familiar para a indústria audiovisual: a necessidade de oferecer algo que a concorrência não consegue reproduzir com a mesma facilidade. Nas décadas de 1950 e 1960, a popularização da televisão começou a mudar os hábitos do público e pressionou os cinemas a encontrar novas maneiras de atrair espectadores. Foi nesse contexto que cineastas e produtores passaram a experimentar formatos capazes de ampliar a imagem e tornar a experiência mais envolvente.
Em 1967, no Canadá, surgiu a tecnologia que daria origem ao IMAX. A proposta era relativamente simples de explicar, mas complexa de executar: em vez de dividir a atenção do público entre várias telas, criar uma única superfície de grandes dimensões, com uma imagem capaz de ocupar uma parte muito maior do campo de visão. A ideia não era apenas fazer o filme parecer maior. Era aproximar o espectador daquilo que estava acontecendo na tela.
Para alcançar esse resultado, o formato original utilizava uma película de 70 mm de largura, que corria horizontalmente pela câmera e pelo projetor. Essa configuração permitia registrar uma área de imagem muito maior do que a dos formatos tradicionais de 35 mm. O resultado era uma imagem com alto nível de detalhe, especialmente adequada para telas gigantes. O problema? As câmeras eram enormes, caras e barulhentas, e trabalhar com esse material exigia uma estrutura de produção bastante específica. A inovação existia, mas ainda precisava encontrar um caminho economicamente viável para chegar ao grande público. Superinteressante
O que faz uma sala IMAX ser diferente?
A primeira coisa que vem à cabeça costuma ser o tamanho da tela. E, sim, ele importa. Mas o IMAX não se resume a colocar uma tela gigante em uma sala convencional e aumentar o volume do som. A experiência depende de um conjunto de fatores que precisam funcionar em sintonia: o sistema de projeção, a geometria da sala, a distribuição dos alto-falantes e a forma como a imagem foi captada ou preparada para exibição.
Na projeção digital a laser, por exemplo, a tecnologia pode oferecer maior nitidez, brilho, contraste e reprodução de cores. Já os sistemas de áudio são desenvolvidos para posicionar os sons com precisão, criando uma percepção mais envolvente do ambiente sonoro. Em uma cena de suspense, isso pode significar perceber um ruído vindo de determinada direção; em uma sequência de ação, sentir o impacto dos graves sem que tudo se transforme em uma massa sonora indistinta. A IMAX também utiliza processos próprios de remasterização digital, que permitem preparar filmes para as características de suas salas. IMAX — The IMAX Experience e IMAX with Laser.
Outro detalhe importante é o enquadramento. Alguns filmes captados com câmeras IMAX podem apresentar uma área maior da imagem quando exibidos em salas compatíveis. Isso significa que o público pode enxergar mais conteúdo vertical em determinadas cenas, em vez de assistir a uma versão cortada para caber em outro formato. Não acontece da mesma maneira em todos os filmes: o resultado depende das câmeras utilizadas, das escolhas do diretor e do sistema de exibição.
É por isso que duas sessões anunciadas como IMAX não necessariamente oferecem uma experiência idêntica. Existem salas digitais e salas equipadas para projetar película de 70 mm, além de diferenças entre sistemas e formatos de imagem. O nome identifica uma tecnologia e um padrão de exibição, mas não significa que todas as salas tenham equipamentos iguais. Se a intenção é assistir a um filme aproveitando ao máximo o formato, vale conferir as especificações da sessão e como a produção foi filmada.
Christopher Nolan e a aposta na experiência
Poucos cineastas ajudaram tanto a colocar o IMAX no centro das conversas sobre cinema quanto Christopher Nolan. O diretor transformou o formato em parte importante de sua linguagem visual, utilizando-o em produções como Batman: O Cavaleiro das Trevas e Oppenheimer. Em vez de tratar a tela grande apenas como um diferencial técnico, Nolan explora o formato para ampliar a escala das cenas e a relação entre o espectador e aquilo que está vendo.
Em Oppenheimer, por exemplo, uma parcela significativa do longa foi filmada com câmeras IMAX. O resultado não depende somente da resolução: a proporção da imagem, a composição dos planos e a dimensão da projeção também influenciam a forma como o público percebe cada cena. O formato se torna parte da narrativa, não apenas um recurso para vender uma sessão premium.
Essa relação entre tecnologia e linguagem cinematográfica é fundamental. Uma câmera mais avançada não torna automaticamente um filme melhor, assim como uma tela maior não corrige uma história mal contada. A tecnologia amplia as possibilidades de quem cria, mas o resultado depende das decisões artísticas tomadas durante a produção. Em outras palavras, o equipamento pode ser extraordinário; ainda assim, é preciso ter algo interessante para mostrar.
A tecnologia também precisa fechar a conta
Se o IMAX oferece uma experiência diferenciada, por que não está presente em todos os cinemas? A resposta passa pela economia. Construir e equipar uma sala desse tipo exige investimento, manutenção e adequações técnicas. No caso da película de 70 mm, os custos de produção, transporte, manuseio e projeção tornam o processo ainda mais complexo. Nem todo cinema tem espaço físico ou estrutura financeira para operar nesse padrão.
A transição para o digital ajudou a expandir o alcance do formato. Em 2002, a IMAX introduziu seu processo de remasterização digital, conhecido como DMR, que permite adaptar filmes produzidos em outros formatos para exibição IMAX. Isso abriu espaço para que mais lançamentos chegassem às salas sem depender exclusivamente de filmagens feitas com câmeras IMAX. A estratégia ajudou a tornar a tecnologia mais presente no circuito comercial, mas também trouxe uma distinção importante: um filme remasterizado para IMAX não é necessariamente um filme captado inteiramente com câmeras IMAX.
É aí que a discussão fica interessante para além da sala escura. O IMAX mostra como uma experiência premium pode criar valor para um produto e ajudar a diferenciá-lo em um mercado competitivo. Ao mesmo tempo, revela o desafio de equilibrar inovação, custos e acesso. Ingressos mais caros podem ajudar a financiar uma estrutura sofisticada, mas também limitam quem consegue aproveitar a experiência. A tecnologia precisa convencer o público de que entrega algo relevante — e a indústria precisa encontrar um modelo que seja sustentável.
O que o IMAX ensina sobre experiência de marca?
Existe uma lição que ultrapassa o cinema: em um mercado cheio de alternativas, oferecer mais do mesmo nem sempre é suficiente. Quando a televisão ganhou espaço, o cinema buscou formatos que não poderiam ser reproduzidos facilmente em casa. Hoje, diante do streaming e do consumo sob demanda, o IMAX aposta novamente naquilo que torna a experiência presencial diferente: escala, som, qualidade de imagem e a sensação de fazer parte de algo maior.
Essa lógica também aparece no marketing. Marcas não competem apenas por atenção; competem pela lembrança e pelo valor percebido pelo público. Uma experiência bem construída conecta tecnologia, ambiente, conteúdo e expectativa. Mas o diferencial precisa fazer sentido para quem consome. Não basta anunciar uma tela maior, um equipamento mais moderno ou uma solução mais cara. É necessário mostrar o que muda, por que isso importa e qual benefício real a pessoa recebe.
No fim, o IMAX é tanto uma história de engenharia quanto uma história de posicionamento. Ele transforma especificações técnicas em uma promessa de experiência — e precisa entregar essa promessa para justificar seu lugar no mercado. A questão não é simplesmente assistir a um filme em uma tela maior, mas entender o que essa tela acrescenta à história.
E você: já assistiu a um filme em IMAX? Sentiu uma diferença que justificasse o investimento ou acredita que uma boa história funciona em qualquer tela? Conta para a gente nos comentários.
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Produção: Lamar Comunicação
Concepção: João Victor
Texto: Jarvis, inteligência artificial da Lamar Comunicação
Revisão e edição: Ketlyn

