Você olha para o preço de um celular novo e pensa: “isso é um smartphone ou um carro usado?”
A pergunta não é tão exagerada quanto parece. Com o lançamento da nova geração da Apple, o Brasil recebeu o iPhone 18 Pro, o iPhone 18 Pro Max e o iPhone Duo, primeiro modelo dobrável da marca. O Pro parte de R$ 11.999, enquanto o Pro Max chega a R$ 21.999 na versão de 2 TB. Já o iPhone Duo começa em R$ 21.999 e pode alcançar R$ 30.999 na configuração mais cara.
É aquele tipo de preço que faz a pessoa olhar duas vezes para a etiqueta e depois olhar para o próprio celular pensando: “talvez ele ainda tenha uns bons anos pela frente”.
Mas existe uma explicação para tamanha diferença entre o preço de um aparelho no Brasil e em outros mercados. E ela não cabe em uma única palavra como “imposto”. O valor final de um smartphone é resultado de uma combinação de tributação, câmbio, logística, custos de importação, produção nacional, posicionamento da marca e características do próprio mercado brasileiro.
Antes de falar dos impostos, precisamos falar de onde esse celular vem
Um dos motivos mais importantes para entender o preço é a origem do produto.
O Brasil possui uma indústria relevante de smartphones. Segundo o governo, cerca de 95% dos celulares comercializados no país em 2025 foram produzidos aqui, enquanto aproximadamente 5% foram importados. Isso significa que boa parte dos aparelhos vendidos no mercado brasileiro não chega pronta do outro lado do mundo: eles são montados ou produzidos localmente, muitas vezes com componentes importados.
Isso muda bastante a conversa.
Quando um aparelho é fabricado ou montado no Brasil, existem vantagens tributárias e industriais que podem reduzir parte dos custos de importação. Ao mesmo tempo, a cadeia ainda depende de componentes, semicondutores, telas, memórias e outros elementos que vêm de diferentes partes do mundo.
É por isso que o preço de um celular não começa na prateleira da loja.
Ele começa muito antes, em uma cadeia global de produção.
E quanto mais sofisticado é o aparelho, mais complexa tende a ser essa cadeia.
E aí entram os impostos — vários deles
Smartphone não paga apenas um imposto no Brasil.
Na cadeia podem aparecer ICMS, IPI, PIS/Cofins e, no caso dos aparelhos importados, o Imposto de Importação. O peso de cada tributo depende da operação, da origem do produto, da classificação fiscal e de outros fatores.
No caso de uma compra internacional feita diretamente por uma pessoa física, por exemplo, a Receita Federal informa que, desde maio de 2026, compras acima de US$ 50 dentro do Remessa Conforme estão sujeitas a Imposto de Importação de 60%, com desconto equivalente a US$ 30 sobre o imposto, além do ICMS estadual, que varia de 17% a 20%.
Isso não significa que um iPhone vendido oficialmente no Brasil simplesmente recebe “60% de imposto em cima do preço”.
Essa é uma confusão comum.
As regras de importação para uma compra internacional feita pelo consumidor são diferentes da estrutura tributária de uma empresa que importa, distribui e comercializa um produto oficialmente no país. O preço final também incorpora outros custos e tributos ao longo da cadeia.
Por isso, quando alguém diz que “metade do preço do celular é imposto”, é preciso tomar cuidado. A carga tributária real depende do aparelho, da operação e da metodologia usada para calcular.
Ainda assim, a tributação pesa.
Uma estimativa publicada pelo Canaltech em 2026, por exemplo, apontou uma carga tributária aproximada de 60% para smartphones importados e cerca de 37% para modelos produzidos no Brasil, considerando os parâmetros utilizados na análise. É uma estimativa, não uma alíquota única aplicada a todos os celulares.
O curioso é que o imposto também faz parte de uma estratégia
Em fevereiro de 2026, o governo federal anunciou uma elevação de tarifas de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones e outros equipamentos. A justificativa apresentada foi proteger a produção nacional e corrigir distorções no comércio exterior.
A medida chegou a prever aumento da tarifa de importação de smartphones de 16% para 20%.
Mas durou pouco.
Depois da repercussão negativa, o governo recuou e restabeleceu a alíquota anterior de 16% para smartphones. A mudança fez parte de uma revisão das tarifas que também atingiu notebooks e outros produtos de informática.
Esse episódio mostra uma questão importante: o preço da tecnologia também é resultado de decisões de política industrial.
O governo pode aumentar tarifas para proteger fabricantes nacionais. Pode reduzir ou zerar determinadas tarifas quando não existe produção equivalente no país. Pode criar incentivos para determinados componentes. E cada decisão interfere na conta final.
É quase como uma partida de dominó: mexe em uma peça da cadeia e outras acabam se movimentando.
Mas então a culpa é só dos impostos?
Não.
E é aqui que a história fica mais interessante.
Imagine um smartphone vendido no Brasil por R$ 15 mil. Antes de chegar à loja, ele passou por uma cadeia que envolve desenvolvimento, componentes, fabricação, transporte internacional, câmbio, seguros, armazenamento, distribuição, marketing, margem de varejo e tributação.
Se o dólar sobe, alguns custos aumentam.
Se componentes ficam mais caros, aumenta o custo de produção.
Se o transporte encarece, a logística pesa mais.
Se a tributação muda, a conta também muda.
E existe ainda uma variável que nem sempre aparece na discussão: o posicionamento da própria marca.
A Apple não vende apenas um conjunto de componentes. Ela vende um produto premium, um ecossistema, software, serviços, suporte, design e, principalmente, uma percepção de valor construída durante anos.
O preço, portanto, não é apenas uma planilha de custos.
É também estratégia.
E o novo iPhone mostra isso de forma quase caricata
O iPhone Duo é um ótimo exemplo.
O aparelho dobrável chega ao Brasil a partir de R$ 21.999 e alcança R$ 30.999 na configuração de 2 TB. Ele tem uma tela interna de 7,6 polegadas, estrutura em titânio, chip A20 Pro e uma proposta completamente diferente dos iPhones tradicionais.
Ou seja: não estamos falando simplesmente de “um celular mais caro”.
Estamos falando de uma categoria nova dentro da própria linha da Apple.
E categorias novas costumam carregar uma característica importante: preço de entrada alto.
A tecnologia ainda é sofisticada, a produção é mais complexa e a empresa também está posicionando o produto como uma experiência premium.
Nesse caso, portanto, seria simplista dizer que o aparelho custa R$ 30 mil “por causa dos impostos”.
Os impostos ajudam a explicar parte da conta brasileira, mas não explicam sozinhos um produto que já nasce como um dos mais sofisticados e caros do portfólio.
E o câmbio? Esse também entra na conversa
Existe ainda o famoso componente invisível da tecnologia brasileira: o dólar.
Boa parte da cadeia global de eletrônicos é dolarizada. Mesmo quando o produto é montado no Brasil, diversos componentes e contratos estão ligados ao mercado internacional.
Quando o real perde valor diante do dólar, importar componentes, equipamentos e tecnologias fica mais caro.
E isso pode chegar ao consumidor.
Foi justamente o que aconteceu em outros mercados em 2026: a Apple reajustou preços de alguns produtos em diferentes países em meio ao aumento global dos custos de memória e armazenamento, pressionados também pela demanda relacionada à inteligência artificial.
Ou seja, existe uma dimensão global nessa história.
O Brasil adiciona sua própria camada de complexidade tributária e logística, mas o mercado internacional também está mudando.
A inteligência artificial, por exemplo, não está apenas transformando softwares. Ela também está aumentando a demanda por infraestrutura e componentes computacionais.
Até o preço do seu próximo smartphone pode sentir esse efeito.
No fim, não existe um único vilão
Talvez essa seja a parte mais importante da história.
Quando um smartphone custa R$ 20 mil ou R$ 30 mil, é tentador apontar para uma única causa. “É imposto.” “É a Apple.” “É o dólar.” “É o Brasil.”
Mas tecnologia não funciona assim.
O preço final é uma soma de decisões.
Decisões de governo. De fabricantes. De fornecedores. Do mercado internacional. Da logística. Do câmbio. Do varejo. E, claro, do próprio consumidor, que decide se aquele produto vale o preço cobrado.
A grande questão talvez não seja apenas perguntar por que o smartphone ficou tão caro.
É perguntar quanto estamos dispostos a pagar por tecnologia e o que, exatamente, estamos comprando quando pagamos por ela.
Porque, quando um celular chega perto do preço de um carro popular, a conversa deixa de ser apenas sobre tecnologia.
Passa a ser sobre comportamento, economia e até sobre a maneira como definimos o que é necessidade — e o que virou desejo de consumo.
E você: pagaria R$ 30 mil em um smartphone? Ou, nesse preço, a tecnologia já passou do limite?
Para quem quiser acompanhar a apresentação completa dos novos produtos, a Apple disponibilizou o evento de setembro de 2026 em seus canais oficiais, incluindo o YouTube.
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Produção: Lamar Comunicação
Concepção: João Victor
Texto: Jarvis, inteligência artificial da Lamar Comunicação
Revisão e edição: Ketlyn

