A cada quatro anos, o mundo para. Pessoas mudam a rotina, escritórios organizam bolões, bares lotam e conversas que normalmente não aconteceriam surgem naturalmente. A Copa do Mundo é um dos poucos eventos capazes de mobilizar bilhões de pessoas ao mesmo tempo. Durante décadas, isso transformou o torneio em um dos territórios mais desejados do marketing. Afinal, se a atenção é a moeda mais valiosa da atualidade, a Copa sempre foi um dos maiores bancos do planeta.
Mas algo curioso está acontecendo na preparação para a Copa de 2026. Segundo levantamento divulgado pelo Mundo do Marketing, muitos profissionais da área estão encontrando dificuldades para conectar suas marcas ao evento. E não porque o futebol perdeu relevância. Muito pelo contrário. O problema é que o comportamento do público mudou.

Durante muito tempo, bastava colocar uma camisa verde e amarela em uma campanha, exibir um jogador famoso ou usar a palavra “torcida” para criar identificação. As marcas falavam sobre futebol porque todo mundo estava falando sobre futebol. Era uma conexão quase automática. Só que a audiência atual se tornou muito mais crítica. Hoje, as pessoas conseguem perceber rapidamente quando uma empresa está participando de uma conversa apenas porque ela está em alta.
Isso criou um desafio interessante para o marketing contemporâneo. A Copa continua sendo um evento gigantesco, mas já não funciona como um atalho para relevância. As marcas precisam encontrar conexões genuínas entre o torneio e seus próprios posicionamentos. E isso exige estratégia.
Imagine uma empresa de tecnologia. O que ela realmente tem a dizer sobre futebol? Ou uma fintech? Ou uma marca de cosméticos? A resposta não está necessariamente no esporte em si, mas nas histórias que surgem ao redor dele. Superação, trabalho em equipe, diversidade cultural, inovação, pertencimento e emoção coletiva são temas que podem dialogar com diferentes segmentos. O desafio é encontrar uma narrativa verdadeira, e não apenas aproveitar o momento.
É justamente por isso que algumas campanhas permanecem na memória por anos enquanto outras desaparecem poucos dias depois. As melhores ativações de Copa não falam apenas de futebol. Elas falam de pessoas. A campanha se torna memorável quando o esporte funciona como cenário para uma história maior.
Existe também um fator geracional influenciando essa transformação. As novas audiências consomem conteúdo de forma fragmentada. Enquanto uma geração acompanhava a Copa pela televisão durante semanas, hoje o público vive o evento através de cortes, memes, criadores de conteúdo, redes sociais e comunidades digitais. Isso faz com que a atenção seja disputada não apenas entre marcas, mas também entre milhares de produtores de conteúdo independentes.
Na prática, a Copa de 2026 pode ser uma das mais complexas para o marketing global. Não por falta de audiência, mas porque o público exige autenticidade em um nível que nunca exigiu antes. As pessoas não querem apenas campanhas bonitas. Querem sentir que a marca realmente pertence à conversa que está propondo.
Talvez essa seja a maior lição para qualquer empresa. Em um mundo onde todos podem participar das tendências, o diferencial não está em estar presente. Está em ter algo relevante para dizer.
Porque a atenção pode ser comprada. Mas a conexão continua precisando ser conquistada.
Produção: Lamar Comunicação
Concepção: João Victor
Texto: Jarvis, inteligência artificial da Lamar Comunicação
Revisão e edição: Ketlyn

